A TEOLOGIA E A REVELAÇÃO*

A teologia é a disciplina que visa expressar de modo coerente o conteúdo da fé cristão. É baseada na pressuposição de que Deus é capaz de se revelar e que o ser humano é capaz de entender essa revelação. Salmo 103.7 declara: “Fez notórios os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel.” Hebreus 1.1,2 repete o tema: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós falou pelo Filho.” Por causa da diferença entre Deus e o ser humano, Deus tem que iniciar e mediar a revelação (Êx.33.20; Jó 9.32,33; Is. 55.8,9). A implicação é que sem a revelação, não há conhecimento de Deus.

É a responsabilidade do teólogo interpretar e expor o que se pode conhecer sobre Deus mediante a revelação. Os teólogos normalmente dividem o estudo da revelação em dois: a revelação universal (ou geral) e a revelação particular (ou especial). A revelação universal é aquela que pode ser vista na criação (Sl. 19.1; Rm. 1.18-20). Essa revelação é constante, silenciosa, disponível a todos, e eficaz. Por meio da revelação geral, podemos conhecer algo do poder e da divindade de Deus.

É por meio da revelação particular ou especial, porém, que podemos conhecer Deus pessoalmente. O ponto focal dessa revelação é a pessoa de Jesus Cristo, a encarnação do Deus Vivo (Hb. 1,1,2). Em Cristo Deus se revelou e comunicou sua vontade ao ser humano de modo específico e pessoal. A revelação de Deus em Cristo foi possível por causa do relacionamento especial que Jesus tinha com o Pai. Paulo descreveu esse relacionamento dizendo que em Jesus “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl.2.9). Falando da vida de Jesus, o teólogo batista W. C. Conner escreveu “A vida dele era de comunhão desimpedida com Deus”.** Jesus foi plenamente consciente do seu relacionamento com Deus Pai e ele mediou esse conhecimento à humanidade. Não há revelação sem mediação.

A Bíblia preserva essa revelação de Deus e é a fonte primária da teologia. A inspiração da Bíblia é a garantia de que essa revelação foi preservada intata. A palavra ‘inspirar’ (teopneustos em grego) quer dizer literalmente ‘Deus soprado’ e afirma que a Bíblia é de origem divina. Deus nos deu seu Espírito que é capaz de nos conduzir a toda verdade (Jo. 16.13). Essa tarefa do Espírito é chamada o testemunho interno do Espírito ou a ‘iluminação’. A iluminação é o ato de Deus por meio do seu Espírito que capacita o crente para entender a revelação de que a Bíblia fala. Sem a iluminação, não há compreensão adequada das Escrituras.

A revelação e a teologia são intimamente ligadas. A tarefa teológica é baseada na possibilidade de conhecer algo de Deus por meio da sua própria auto-manifestação na história humana. O Verbo realmente se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e verdade. Então, sem a revelação, não há teologia.

*Este artigo apareceu em O Jornal Batista, Rio de Janeiro, ano 96, n. 44, 2 de nov. de 1997.

**W. C. Conner, Christian Doctrine (Nashville: Broadman, 1937), p. 30.

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